Por vezes na vida temos que tomar pequenas decisões... aquelas atitudes que pouco ou nada mudam, aqueles detalhes que achamos não fazerem diferença...
Pequenas decisões são as mais importantes pois quando as conseguimos ver, sentir ... as maiores já foram tomadas e estas são aquelas que faltavam....
A Decisão!
"Se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade", Walt Disney
Nunca fui grande apreciadora de poesia... Gosto de alguns poemas é um facto mas... poesia não é das minhas literaturas de eleição ...
Contudo... A Pedra Filosofal é para mim quase um alicerce... Estes versos marcaram-me ao longo de toda uma infância... e de uma adolescência conturbada... hoje relembro novamente depois de ter lido uma reportagem sobre o continuarmos a sonhar... o nunca perdermos a capacidade de sonhar mesmo nos momentos mais complicados...
Ao longo da minha vida foram inúmeras as situações que estes versos me apareceram na mente ... as palavras são de tal forma simples que... facilmente entram na mente e ficam...
Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer, como esta pedra cinzenta em que me sento e descanso, como este ribeiro manso em serenos sobressaltos, como estes pinheiros altos que em verde e oiro se agitam, como estas aves que gritam em bebedeiras de azul.
eles não sabem que o sonho é vinho, é espuma, é fermento, bichinho álacre e sedento, de focinho pontiagudo, que fossa através de tudo num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida, que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.
Hoje em conversa com a Vampirinha... falávamos daquelas situações em que nos sentimos umas autênticas pastilhas elásticas...
Aqueles momentos em que alguém puxa puxa e puxa e nós esticamos esticamos e esticamos como se fossemos uma pastilha....
É verdade...
de facto as pessoas têm a capacidade de tentarem sempre esticar a corda... mas mais grave do que uma corda esticada que a qualquer momento pode rebentar é mesmo uma pastilha demasiado esticada... pode sempre voltar ao contrário e rebentar directamente na nossa bela carinha...
Pois...
Apesar do mote da conversa não ter sido de facto o rebentar da pastilha na bela carinha de alguém... dá para rir um bocadinho ao imaginarmos a situação...
Quem nunca passou por uma dessas?
Quem nunca terá tido uma pastilha rebentada na cara que se acuse!
Adiante...
Quando a vampirinha se saiu com essa... a expressão da pastilha elástica... eu confesso que fiquei a pensar e re-pensar ... as usual... e é verdade... é gravemente verdadeiro este esticar da pastilha que diriamente impomos tanto à nossa vida como à vida de terceiros...
Estamos constantemente a tentar impor os nossos gostos... a nossa educação... os nossos hábitos e o que nós consideramos como adequado a tudo e todos... e mais grave... tentamos e estamos contantemente a fazê-lo a nós próprios...
e sim...
eu por vezes sinto que estico a minha vida demasiado... sempre imaginei este esticanço como um esticar da corda, sendo que sempre tive a percepção que um dia... algum dia... a bela da cordinha iria ceder e rebentar para um dos lados...
Agora...
o imaginar a minha vida esticada ao máximo como uma pastilha elástica e de repente... o ter a sensação de atingir o limiar de resistência da pastilha e ela... vir directamente esborrachar-se directamente em cima de mim... pois que é uma imagem assim um tanto para o quanto... desncessária diria eu!
Mas...
Independentemente tratar-se de uma corda rebentada ou de uma pastilha elástica esborrachada na nossa cara... a imagem final é mais ou menos sobreponível...
E porquê é que continuamos diariamente a tentar impor tudo e todos a todas as pessoas à nossa volta e a nós próprios?
Eu confesso que o também faço...
talvez não tanto como algumas pessoas com quem lido mais de perto mas... sofro obviamente do mal do esticanço mas... mesmo eu ... dou por vezes a pensar nos porquês de o fazer... e qualquer uma das razões que me aparece na mente é puramente e unicamente uma razão de caracter e foro egoísta...
Sim...
acho que estamos a viver num mundo cada vez mais egoísta... e nós próprios que sempre abominamos as pessoas egoístas passamos a fazer parte desse mundo... de um mundo em que os gostos e as vontades próprias são lei... um mundo em que nós somos os soberanos da nossa própria vida e ... erradamente e estupidamente ... consideramos ser reis e rainhas da vida de quem nos rodeia....
Ai que parvinhos e totós que somos... um dia todos vamos cair do cavalo... e quase aposto que... nem percebemos o porquê da queda aparatosa!
Ai Vampirinha...
Tu e as pastilhas elásticas! Mulher...!
Aqui fica um som que eu adoro.... apesar da musica ter uma letra triste e um teledisco igualmente triste... já me provaram que esta musica pode ser muito interessante ao ser ouvida no Casino de Lisboa como banda sonora daqueles espéctaculos do barzinho que roda e roda! Ai a forcinha de braços que a menina tinha naquelas benditas cordas!!!!!!
Eu não sei se é o tempo que passa depressa se... são as nossas prioridades que mudam drásticamente...
mas sim... o tempo passa depresa e o tempo tem a fantástica capacidade de nos fazer esquecer muita coisa... de nos fazer esquecer os porquês de tantas coisas mas... o tempo ainda não tem é a fantástica capacidade de nos fazer esquecer de tudo...
E o tempo passa mas... existem aqueles dias que ... que apenas porque sim nos marcam... aqueles dias que mesmo passados tantos e tantos anos... nos relembramos apenas e porque sim...
E hoje... em conversa com uma menina fantástica ela dizia-me..."No fim, tudo acaba bem. Se ainda não está bem, é porque ainda não chegou ao fim..."
Dizia ela a frase para ela própria mas... de repente... olhei para o calendário e lembrei-me dos momentos e dos dias em que eu própria me lembrava desta mesma frase...
e foram tantos esses dias... e depois dei por mim a relembrar o primeiro dia... aquele dia em que tudo começou... uma roda viva que se iniciou num café perdido no meio de uma alameda...
E os anos passam ... e as importâncias e as prioridades mudam... tudo à nossa volta e tudo à minha volta está diferente... eu própria estou completamente diferente mas... aquela noite... aquela fatídica noite ... é algo que não... o tempo nunca irá apagar... o tempo nunca irá retirar a memória das gargalhadas, dos risos e do nervosismo latente...
E por mais anos que passem ... este dia ficará para sempre como uma referência ... nem negativa nem positiva mas... será um dia no calendário que ficará marcado por um acontecimento ...
E ...
na minha mente... quando este dia aparece... aparecem também um sem número de acontecimentos marcantes... uns sim já positivos e outros negativos... e por mais tempo que passe... o tempo não tem de facto a capacidade de apagar momentos da nossa mente...
O tempo o que faz é... minimizar a importância de tais acontecimentos na nossa mente e o que... ontem era de facto demasiado importante... amanhã não passa apenas de mais um acontecimento num dia de calendário...
Mas sim... a frase ..."No fim, tudo acaba bem. Se ainda não está bem, é porque ainda não chegou ao fim..." é de facto real... a questão é que... e o que eu ao fim de alguns anos aprendi... o fim que por vezes nós antecipamos naquele exacto momento... não é exactamente o mesmo fim que num futuro vai acontecer mesmo que... no futuro até concordemos com o mesmo fim...
Eu sei que esta música já é recorrente mas... hoje não sai da minha cabeça... E não se esqueçam... Amanhã é Dia Internacional da Mulher... Meninos... sejam simpáticos e carinhosos com as vossas caras metades!
E desculpem lá o tema mas... não há pachorra para tanta água ...
estou farta de frio chuva e ventos.... farta do frio glaciar não sei de onde... dos ventos ciclónicos também não se de onde e da droga da chuva que cai sem parar....
é que... não há condições e confesso... que fico completamente sem inspiração para escrever ... espero que o tempo minimamente ameno... neste caso apenas peço sem chuva... volte depressa para que eu possa regressar às minhas extensas escritas!
Já tenho saudades de escrever um post inspirado...
aliás... tenho saudades de abrir os estores de manhã e não ver chuva a escorrer pela janela... é que já não há paciência para tanta água!
E porque amanhã inicia mais uma semana que possivelmente... é que já nem vou ver os sites de meterologia para não me irritar... será novamente com chuva, vento e frio... fica aqui um clipe do que de facto deveria estar a chover dos céus... pelo menos em Lisboa e arredores!
Hoje em conversas cruzadas de emails... veio à baila algures o cuchi cuchi dos homens... aqueles detalhes das aulas de criança que eles ... como homens machos que são... têm tendência em omitir...
em particular aqueles homens prendados do macracé e do ponto cruz...
mas por ser sexta-feira eu não avanço mais no tema... mas... lembrei-me que este blogue que inicialmente era muito cuchi cuchi... há algum tempo que não publica um som mais lamechas...
E porque o fim semana está à porta.... aqui fica a cantora lamechas mais preferida da Vampirinha e da Abobrinha... :)
Bom fim semana!
Mas prometo que para a semana... retomo o assunto do cuchi cuchi masculino!
Eu sempre adorei bonecas de trapos... aliás... sempre foram as minhas preferidas... pelo sorriso, pela simplicidade... pela versatilidade mas..
de vez em quando.... sinto-me uma autêntica bonequinha de trapos....
aquela sensação de que...
se me puxarem um braço ou uma perna ou mesmo uma trança do cabelo... eu toda fico destruída.. eu toda desapareço e nem mesmo o sorriso de bonequinha ficará para contar a história...
Existem momentos que quando nos confrontamos com os mesmos sabemos que vamos aprender algo... e sim... eu tenho essa sensação... tenho a sensação de que no final estarei mais forte... estarei mais segura... estarei mais construída mas... sinceramente.... até quando...? Quanto tempo dura uma segurança virtual?
Por vezes tenho mesmo a sensação que...
a história ainda não está fechada... sinto que cada vez mais existem mais repercussões que aquelas que alguma vez imaginei ou antecipei...
E cada vez mais sinto que não é justo...
não é justo por vezes ter a sensação literal de ser uma bonequinha de trapos... ainda bem que nunca gostei de barbies credo.... nem queria imaginar como seria... e ...
esta bonequinha anda ao sabor do vento...
e esta lembrança eu ainda a tenho muito viva na minha mente... aquela sensação de andar solta no vento, e não conseguir ter os pés na terra... aquela sensação de que... não fazemos parte nem do hoje nem do ontem....
e tenho uma sensação estranha... uma sensação de interrogação...
não entendo... confesso que me custa a entender o porquê da sensação de boneca me acompanhar ...
Aquela sensação de inexpressividade... aquela sensação de que... é suposto ficarmos sentadinhas no local onde alguém nos colocou... é suposto a expressão facial não se alterar e talvez mais grave... é suposto... ser silenciosa...
Não sei ... mas serei apenas eu que quero o mundo?
Mas o que eu sei é que a minha bonequinha de trapos, linda que está lá por casa... está sempre a sorrir... e como tal... a dona deve sorrir... !
E... esta semana vai terminar num belo fim semana prolongado de 4 dias com uma saída que se antecipa sendo... mais uma saída fantástica!
Eu confesso que estou entusiasmada com estes 4 dias... sinto que preciso mesmo de descansar e espairecer... e claro... a companhia também ajuda à animação!
Quem não se lembra quando era criança de passar horas a fio a preencher e a delimitar aqueles bonecos gordos dos livros de colorir....?
Eu adorava pintar... adorava preencher bonecas e jardins e imagens com cores lindas e sombreados... sendo que uns anos depois passei a odiar tudo o que envolvia desenho e afins... traumas de escola...
Este preencher e delimitar e sombrear um desenho gordinho era mágico... eu conseguia ter a capacidade de desenhar o mundo à minha maneira... com as cores que mais gostava... da forma como eu sentia realmente o mundo...
aliás.. um dos grandes problemas que eu tinha é que no conjunto de cinquenta mil canetas e 40 mil lápis de cor... tinha sempre umas 10 cores constantemente a acabar... e as restantes ficavam quase intocáveis...
no conjunto vinha sempre cores que eu detestava ou que pura e simplesmente não combinavam com os desenhos... paralelamente... os tons de azul celeste, azul mar e azul céu acabavam rapidamente... os tons terra e os infindáveis verdes...
Até o branco... para fazer sombreados e brilhos...
Ainda hoje me lembro de alguns desenhos que pintei... ainda hoje me lembro das cores que escolhia e da ordem pela qual pintava...
Claro... depois começo a fazer a bela da associação com a minha própria vida... começo a tentar imaginar a minha vida numa tela branca... e tento eu própria pintar a mesma na minha própria imaginação....
bendita CREL e as saudadinhas que tenho de ti...
E o que inicialmente era uma tela mágica como as de Monet... com cores pastel e temas felizes... rapidamente passou a ser uma pintura rupreste... carregada de vermelhos e castanhos com uma tentativa de comunicação primária...
E crio uma história em forma de animais e lagos e montanhas...
e tento contar uma parte da minha vida apenas e para ficar desenhada... fazer parte de um conjunto de desenhos mas... depois chego à conclusão que alguns desenhos nunca farão parte desse conjunto... serão sempre obras incompreendidas e realizadas em momentos conturbados e que nunca serão apresentados como fazendo parte da exposição principal...
Depois tento escolher os pincéis... e a palete de cores que vou utilizar para o presente... e fico indecisa...
por um lado sou tentada a utilizar os mesmos pincéis de sempre e as mesmas cores de sempre mas por outro... sinto que desta vez é diferente... sinto que esta história não se limita a ser apenas enchimento de um desenho gordo...
Mas a tentação do conhecido é de facto muito grande... com os tons de azul celeste, azul mar e azul céu e os tons terra e os infindáveis verdes... pelo menos sei como ficam no papel... sei qual a espessura da tinta... sei qual a sensação da textura dos lápis...
se escolher um rosa choque ou mesmo um lilás da moda ou até um amarelo canário fico com receio... fico com aquela sensação que não combina... que os tons são demasiado berrantes e estragam a pintura... que cores desconhecidas não são benvindas na minha própria pintura...
Sinto-me a balançar... sinto-me como se fosse um peso na balança da minha própria vida e que cada cor que eu escolho tem um peso diferente.... quase como se o branco e o azul pesassem bem mais que o amarelo ou o verde...
mas decido... tentar ser espontânea.. e talvez mais impulsiva... (algo que no passado deixei de fazer devido a todas as consequências) decido fazer apenas rabiscos sem lógica e sem regras... decido desenhar algo abstracto sendo que a escolha das cores passa a ser algo secundário....
afasto-me.... e observo....
e a cada olhar faço um sorriso... cada pincelada que eu observo soa a conquista...cada cor utilizada faz sentido... e no fim... toda a tela tem uma lógica... a tela num todo cria uma pintura harmoniosa... claro que o estilo é algo entre Paula Rego e um Picasso bêbado mas... o estilo é apenas um estilo ...
e uma pintura... é apenas isso.... uma pintura...
uma imagem reflectida numa tela que num determinado momento teve um determinado significado...
a tela de amanhã pode e possivelmente será diferente da de hoje assim como... a tela de ontem certamente já não faz parte da colecção do amanhã.
Mas ainda assim... não estou totalmente convencida na escolha de cores... talvez amanhã a palette fique finalizada...
Mas com esta dúvida no ar ... decido na mesma pendurar o meu quadro na parede e ... vou dormir!
Olho para trás ... Olho à minha volta ... Vejo a minha vida de há cinco anos atrás como.... se estivesse numa sala de cinema a ver um drama da vida real....
Olho para trás e tento sentir... tento entender tento perceber... tento enquadrar quem eu era no momento actual....
Já não é possível... Quem eu era há 5 anos atrás já não existe.... olho à minha volta e tudo está diferente... até o local onde trabalho... a empresa que há cinco anos atrás me ajudou e me defendeu ... hoje está diferente.... melhor ou pior confesso que não sei mas... diferente... muito diferente....
Tudo à minha volta parece ter mudado... ou talvez .. tenha mudado a minha forma de ver o mundo... não sei...
Sei que por momentos fico assustada... como se não me reconhecesse ... não reconhecesse o mundo que me rodeia... como se tudo fosse novidade para mim...
Revejo as cenas da minha vida passada como se de um livro de histórias se tratassem.... E revejo o mês de Janeiro de 2005... aquele mês em que... tomei algumas das decisões mais erradas da minha vida... aquelas decisões que no momento exacto me pareceram certas mas arriscadas mas que... poucos meses depois se mostraram ser desastrosas...
e tento entender o porquê das mesmas decisões.. tento entender quem eu era naquele momento e o que sentia para que... para que o passado faça sentido....
Mas o passado já deixou de fazer sentido há muito tempo.... sinto o meu passado como um livro... um livro cheio de contos e pequenas histórias ... com ou sem enquadramento que... todas juntas fazem sentido mas... soltas e em separado... parecem apenas pedaços de folhas rasgados de uma enciclopédia...
Vejo-me a andar numa avenida...
Com as mãos nos bolsos caminho ao longo da avenida para aquela pequena ruela que me acompanhou... paro num cafézinho e peço um café e um copo de água e tento ler... tento abstrair-me da semana anterior... tento-me abstrair de todas as semanas anteriores e tento... começar o role de desculpabilizações que me habituei a fazer.... sei que troco mensagens... e possivelmente falo ao telefone... era usual naquele mês todos aqueles telefonemas... logo de manhã.. a meio da tarde e antes do deitar...
Mas naquele dia em particular não consegui... nem a mim própria me consegui enganar... o golpe tinha sido demasiado profundo... a indignação demasiado elevada... a pontada no ego era o menor dos meus problemas... a sensação era que tinha a minha vida toda embrulhada num puzzle com peças todas reviradas ao contrário ... nenhum encaixe naquele momento fazia qualquer sentido....
Já não me consigo lembrar de nada de uma forma nítida.... Vejo todas as cenas do filme de uma forma turva... cheia de manchas e sombras...
Sei que era um mês que eu antecipei já por si muito complicado... sei que sabia que iria iniciar uma época difícil... mas nunca me passou pela cabeça o quão difícil tudo viria a ser ...
Possivelmente podia ter facilitado algo a mim própria mas também sei que... fiz o melhor que sabia fazer... agi da única forma que eu naquele momento exacto sabia agir...
Gostava de me relembrar de quem eu já fui.... Gostava de me relembrar das bases que originaram toda uma mudança... sei que estou bem melhor... sinto-me bem e sei que estou bem... sei que estou diferente... sei que quem eu era há 5 anos atrás já não existe....
Mas... por vezes gostava de me recordar... gostava de não perder pedaços do meu próprio livro... Por vezes dou por mim a relembrar carinhosamente momentos... algumas cenas... mas...
Nada neste momento me faz sentido... Acho que a minha própria mente apagou muitos momentos... dizimou todas as minhas memórias... como se parte do meu livro de histórias tivesse sido brutalmente queimado ...
E se bem que eu me lembro do pouco que eu era...
Possivelmente quem acedeu o fósforo e ateou o fogo terá sido eu....
E para aquecer as almas mais friorentas nesta noite gélida... uma música de um dos filmes mais carinhosos que eu conheço :)
Será que de facto ainda existem verdadeiras histórias de amor???? Daquelas histórias que sentimos um calor no peito e estamos permanentemente a sorrir feitos totós????
Será que sim...?
Dia 28 de Maio... estarei sentada numa sala de cinema de certeza perto de mim!!!!!!!
Fui ver ontem e amei mesmo!
Claro que sim... já conhecia a história mas... os lobisomens são bem maiores que aqueles que eu imaginei.... credo... coisinhas tão grandes!
Eu assumo...
sou efectivamente uma pessoa que ligo aos pequenos detalhes... aqueles pormenores que fazem toda a diferença...
mas tenho o defeito de ... ligar sempre aos pequenos pormenores seja a titulo profissional... sejam os pequenos detalhes na vida pessoal...
e como mulher...
tenho o hábito de exigir muito... tenho o hábito de querer sempre mais do que tenho...
e como humana...
sou uma eterna insatisfeita...
e por vezes...
não é necessário muito para nos sentirmos bem... não são necessárias grandes acções... nem grandes momentos ... nem excesso de tempo para nos sentirmos bem...
é necessário sim...
tempo de qualidade... tempo quanto baste o necessário... e acima de tudo... sairmos com a sensação de que o dia não foi vazio....
e confesso que já tinha saudades de uma noite como ontem...
uma noite como eu considero como noite gostosa...
só faltou mesmo...
um belíssimo por do sol como hoje estava....
Um final de tarde passado numa boa companhia...
um acrescento ao final de tarde com uma refeição rápida... não ultrapassando nem o tempo limite do cansaço nem do próprio desgaste do dia...
um regresso a casa ao som de boa música com aquela sensação de paz ... de descanso... de um dia bem passado...
Ao longo dos 43 kms que tive que fazer... que distavam do local onde estava até à minha casa, tentei recordar a última vez que me tinha sentido assim...
que tinha tido aquela sensação gostosa ao pegar no carro e conduzir até casa... aquela sensação de... não existir nuvem negra a pairar na minha cabeça....
credo... tanto tempo...
já se passou efectivamente tanto tempo desde a última viagem que fiz com a mesma sensação... aquela sensação que o dia tinha acabado bem... aquela sensação de que a vida corre bem.... que o dia apesar de ter complicado ... apesar de ter sido dificil... acabou em calma... acabou com serenidade... acabou com a sensação que poderia durar mais 24 horas ... que não iria ser difícil....
e ... Apesar dos 43 kms parecerem uma grande distância... o facto é que... com o rádio no máximo.... e a testar um pouco a adesão das 4 rodas à estrada... (sim... o popó novo portou-se lindamenteeeee) passado pouco mais de 20 minutos estava em casa...
e a noite ainda era uma criança....
ainda tive imenso tempo para imensa coisa...
era esta a sensação que me estava a faltar...
a sensação de que faz sentido...
a sensação de que o dia faz sentido ...
esta sensação é necessária ...
é necessário que a nossa vida e a nossa mente pare... tenha estabilidade e descanso para o dia seguinte.. para as semanas e meses seguintes... e ... para mim não são as grandes acções que têm significado...
para mim não são os grandes tchams que fazem a diferença...
para mim... a diferença está no tempo de qualidade... no tempo quanto baste o necessário... e acima de tudo... está nesta sensação... na sensação de que o dia não foi perdido... não foi vazio....
e sim...
já tinha saudades...
já tinha saudades de me sentar no sofá a fumar o último cigarro do dia com a sensação de que o dia não tinha sido vazio....
Ontem foi um dia assim....
veremos os próximos dias!
Na vida existem momentos marcantes... aqueles momentos que nunca esquecemos por mais tempo que passe...
foram momentos que passando dias, semanas, meses e até anos.. estão marcados na nossa alma a ferros... e não existe forma de os conseguirmos apagar....
podem ser momentos felizes.. mas por norma... foram momentos marcados por profunda tristeza, desespero ou porque... nos marcaram apenas porque sim....
ou talvez.... sejam estes os meus momentos marcantes... aqueles que me marcaram pela negativa... com algum acontecimento diferente do usual...
este dia em particular tinha começado por ser uma típica sexta-feira.... naquele tempo tinha que fazer a marginal para chegar ao escritório.... cheguei e o dia passou-se naturalmente...
a meio da tarde o telefone vibra ... apenas uma mensagem recebida... com uma desmarcação tempestuosa do compromisso da noite.... fiquei afectada... não sei explicar muito bem mas naquele momento exacto pareceu que o chão me tinha sido retirado ...
respirei fundo e o resto da tarde passou-se...
o caminho de carro pareceu interminável....
a visão de casa parecia surreal.... as voltas e mais voltas em Lisboa, em plena hora de ponta a uma sexta-feira em pleno Outono frio parecia uma das ideias mais estupidas que eu poderia ter....
avanço para a colina rumo ao Bairro Alto.... paro no mesmo local de sempre e peço aquela tosta de frango fantástica... e passo as duas horas seguintes perdida nas ruas... a vaguear... com os olhos baços e com a mente toldada.... parecia que tinha uma nuvem dentro de mim que não me deixava raciocinar....
lembro-me que tentava chorar mas que... as lágrimas estavam secas como se os meus olhos me tentassem dizer algo...
pelo meio sento-me num lancil de uma das ruelas mais confusas e perco-me no meio da multidão de gente, de barulhos .... e fico por ali sentada....
de repente o telefone vibra novamente ... e novamente outra mensagem... desta vez com um texto contraditório... desta vez com uma lufada de ar fresco enganadora ....
faço um sorriso.... e por momentos sinto-me bem.... fracamente bem mas o suficiente para me levantar, perceber que estou gelada e ... que estava na hora e no momento de regressar a casa....
Arranco com o carro e devagar devagarinho subo a Avenida da Liberdade... e começo a sonhar com as luzinhas de natal... a contar as semanas para o acender da primeira lâmpada.... a sentir o calor e o aconchego das luzinhas a piscar...
entro no Marquês de Pombal a meio da música... de repente a música faz ricochete... de repente o som que sai das colunas faz clique... de repente a nuvem que me toldava a vista o pensamento e o raciocínio desaparece... de repente faz-se luz....
a meio da rotunda entendo tudo... a mente abre e ... as informações mais perdidas no meio do meu intimo aparecem... percebo tudo... e volto a fazer a rotunda uma vez, duas vezes e à terceira saio disparada e ...prego a fundo chego a casa ... e tomo decisões... grandes decisões... decido que vou parar... entendo a estupidez que me envolve... entendo toda a insanidade que me rodeia e decido....
decido que nunca mais me vou sentir daquela forma... decido que a apatia nunca mais pode aparecer... e que a partir daquele momento eu sei que ... tudo vai ser diferente... todas as atitudes serão diferentes e pior.... toda a envolvência muda...
e acima de tudo entendo que não vai ser fácil... entendo que o processo vai ser um processo longo com recaídas ... com ganhos e perdas mas sei... naquele momento sei que... está na hora de subir à superfície e respirar....
Desde essa noite até hoje algum tempo se passou.... Nunca me arrependi da grande decisão.... como em tudo na minha vida tento nunca me arrepender... mesmo quando não me recordo dos porquês das decisões.... Lutei por pequenas decisões... e ganhei pequenos passos... grandes passos.... Caminhei... primeiro a gatinhar como um bebé... depois com os pequenos passinhos de alguém que receia o fundo de um degrau... e depois com a cabeça levantada....
e hoje....
recordo esta noite como aquela noite da minha mudança... aquela noite que para sempre ficará gravada em mim... aquela noite que afectou todo um futuro de decisões e atitudes... aquela noite que mudou para sempre toda uma forma de sonhar imaginar viver e recordar....
e hoje olho para trás e vejo um filme... não um filme de terror... não um filme de suspense... não um filme dramático nem uma comédia romântica...
apenas vejo um filme constituído por cenas soltas, sem consistência, sem enredo, sem um cenário montado ...
Uns meses depois...
talvez um ano... talvez dois anos... já não sei precisar o tempo que passou entre a grande decisão e as pequenas... sei que... algum tempo depois nascia o Pequenas Decisões
E hoje sei que...
esta noite mudou para sempre toda uma forma de pensar, agir e sentir...
não sei se terá mudado para melhor mas... de certeza que mudou para algo diferente ...
Há uns dias atrás falava aqui dos famosos momentos princesa...
entretanto depois lembrei-me de um dos famosos momentos princesa que existem retratados na tela.... Serendipity....
quem não se lembra deste filme fantástico em que um feliz acaso se torna uma linda história de amor?
Definição de Serendipity: faculdade de fazer, acidentalmente, descobertas felizes e inesperadas...
Quem nunca sorriu ao ler esta definição? Quem nunca tentou acidentalmente... encontrar a sua própria felicidade....?
Aliás... a frase popular é dita constantemente... quando menos esperares... vais encontrar... embora a mente humana... sempre pessimista e inconformada.. nunca aceite um acaso como fazendo parte da própria felicidade...
Acho que este é um dos milhentos exemplos de princesas no mundo virtual da tela de cinema...
Mas lembro-me como se fosse ontem da primeira vez que vi este filme...
Do que senti...
lembro-me que fui até à minha varanda olhar o rio... sentei-me na cadeira a olhar a luz da lua reflectida no Rio Tejo... olhei as estrelas e sonhei....
sonhei com o dia de ontem... sonhei com o dia de amanhã... lembro-me contudo de não ter sonhado com o próprio momento... como se o dia de hoje não contasse ... não fosse importante...
Sei que adoro olhar as estrelas... que desde pequena me sentava no muro da aldeia dos meus avós e olhava o céu... me perdia na imensidão do brilho incandescente...
e sempre que via uma estrela cadente sorria... e sempre que via o rasto deixado por uma estrela pedia um desejo...
Tenho saudades...
tenho saudades de me deitar numa praia à noite e olhar o céu... de olhar as estrelas, a lua... o infinito da própria vida... e sonhar e deixar-me levar para mundos paralelos incertos mas.. com a certeza de serem cor de rosa... serem incandescentes e brilhantes...
com aquela certeza que o amanhã vai ser brilhante... vai ser diferente.... vai ser exactamente aquilo que desejo...
mas também sei exactamente porque deixei de olhar as estrelas, e o céu e o infinito... deixava-me ir... entrava mesmo num mundo paralelo de sonhos apenas meu... um mundinho que ninguém partilhava, que ninguém entrava... que ninguém sequer sabia da sua existência...
tornou-se perigoso esse mundo....
um mundo onde tudo era perfeito, onde tudo corria exactamente como o previsto... onde tudo acontecia exactamente como estava destinado acontecer...
um mundo onde a imperfeição não existia...
um mundo onde o mediano nem sequer entrava...
um mundo onde tudo, mas tudo mesmo... estava predestinado acontecer de uma determinada forma, de um determinado modo, com uma determinada duração....
com o tempo e com a vida percebi que...
este mundo estrelado, brilhante e incandescente apenas existia na minha mente... apenas aparecia naqueles momentos em particular... aqueles flashes de vida onde desligamos da realidade... quando a realidade é má... doi... faz mossa... aqueles momentos em que o mundo pára... quando nós próprios paramos e o nosso olhar foge... a nossa mente desaparece... e a nossa vida fica suspensa em nós próprios...
aqueles momentos em que estamos constantemente a fugir deles mas que... facilmente nos refugiamos neles...
sim...
tenho saudades de olhar as estrelas... de parar e olhar o horizonte e apreciar o brilho, apreciar a dimensão e as cores mas... tenho medo...
tenho medo de novamente me abstrair da realidade e me refugiar novamente naquele mundinho.... naquele pedaço de realidade onde as cores me fascinam... onde a paz é contagiante... onde a música tem um som específico... melodioso.... que entra no ouvido e não sai... um mundinho onde eu ganho asas... onde eu consigo abrir os braços e voar ... e me liberto de todas as amarras da realidade....
depois abro os olhos...
apago o cigarro com o pé...
respiro fundo como se tivesse perdido todo o oxigénio nos pulmões..
e ... caminho de volta para o carro e desço a colina...
no carro o som é o mesmo... aquele som que me acompanha sempre ... aquele som que entra no meu carro e faz eco com a minha própria voz...
paro a meio e olha umas escadas... a escadaria de sempre ... e recordo...
recordo a dor de algumas paragens... recordo o sorriso de algumas passagens... recordo o passado ... penso no presente mas... avanço...continuo a descer em direcção ao rio...
e acelero... e passo pela mesma recta de sempre.... aqui o som no carro está no máximo e os vidros estremecem... e eu estremeço... e faço as mesmas curvas de sempre... e perco-me com a visão triangular do mesmo prédio de sempre... com a intensidade de quem regressa a casa...
Há uns dias atrás em conversas cruzadas com este menino falava-se das compatibilidades em relações...
Na necessidade de existência de compatibilidade não só a nível sexual mas também a compatibilidade intelectual... aparentemente sendo esta é a mais complicada de se encontrar....
E no seguimento dessa conversa discutíamos um artigo que saiu na Happy deste mês que descrevia "os homens" de acordo com os seus signos astrológicos....
(coitado do rapaz... deu-se ao trabalho de discutir um assunto de gajas comigo.... os homens por vezes sofrem é um facto!)
Claro que eu quis logo testar a informação descrita no artigo com ele próprio... aparentemente no sexo e afins aquilo até batia mais ou menos certo.... mas depois vinha o parágrafo das compatibilidades...
No caso aqui deste menino... sendo Aquariano de nascimento... aparentemente a sua maior e melhor compatibilidade intelectual será com uma gaja do mesmo signo de nascimento... aquario.... pelo menos há que convir a imaginação da coisa certo??????
É caso para se dizer... Aquario procura Aquariana!
Sendo eu uma Taurina de gema... com ascendente a Touro.... imaginativo também... retirei-me imediatamente da corrida virtual ... é uma pena mas... ou se tem compatibilidade intelectual... ou se é taurina... aparentemente as duas coisas segundo a revista Happy não são possíveis...!
Sim... porque o artigo era bem explícito... uma mulher de signo aquario seria a melhor compatibilidade que um homem aquário teria com uma mulher mas... intelectualmente falando... falta de sexo portanto!!!!!!
Mas depois confesso que fiquei a pensar na questão das compatibilidades... e eu apesar de ser alguém extremamente racional e muito analítica... ter uma mente muito estruturada e muito matemática... sou fascinada por algumas ciências ocultas...
astrologia é algo que me fascina...
e normalmente... o que vem descrito nos astros, no nossos próprios horóscopos... pode não ser totalmente correcto nem aplicável mas... não se desvia assim tanto do que nós próprios somos...
Mas...
apesar de eu acreditar e até me rever em muitas das descrições que são feitas do meu próprio signo... Touro... relativamente a compatibilidades astrológicas directas sem mapas astrais... aí já sou muito mais céptica...
astrologicamente falando nós temos características não só do nosso signo directo como também do nosso ascendente e de mais um sem número de posições astrais diferentes ... assim uma compatibilidade tão directa de aquário - aquário parece-me algo ... pouco intelectual... pouco científico ... mas...
Prometi ao menino que lhe fazia um post em homenagem à compatibilidade intelectual dele...
algo que iniciasse com Aquario procura Aquariana!
Assim...
Rapaz bem parecido, de signo aquário, que para os iniciados no tema significa mau feitio, teimoso, orgulhoso e chato... procura uma mente aquariana com QI igual ou superior a 164 (valor tabelado para uma idade compreendida entre 31 e 40 anos).
Promete-se
(pois... eu acho que esta parte do anúncio não me foi dada autorização para escrever nem propriamente directrizes mas... como boa condutora que sou... sempre em frente em velocidade cruzeiro....)
Discussões intelectuamente fascinantes....
Ausência de qualquer contacto físico ou sexual...
Pelo menos 10 a 15 minutos de silêncio de 3 em 3 horas para descanso cerebral....
Alimentação cuidada mas de gosto extremado....
Desporto à descrição....
Guloseimas em excesso ...
Bebidas quanto baste...
E como...
Aparentemente...
também existem posições sexuais preferidas para cada um dos signos...
ver ali à direita que o signo aquário prefere a versão humanitária da coisa... agora já percebo o gosto aquariano pelo intelecto... no que diz respeito ao meu signo em particular....
peço desculpa mas... eu não sou assim tão criativa!!!!!!!!!!!
Bem...
No meio disto tudo.... acaba-se por se ter uma certeza.... com quem nós temos compatibilidade intelectual não conseguimos ter compatibilidade sexual.... e quem tem uma fantástica compatibilidade sexual... dificilmente terá o máximo a nível intelecual....
O que será mais importante? O corpo ou a alma??????
Confesso que sim... que ambos são importantes... ambos são necessários para que uma relação seja saudável mas.. sem excessos... a balança tem que pender para ambos os lados... muito sexo sem cerebro é mau... muito cerebro a pão e água... pois ... é um pouco masoquismo penso eu....
Contudo...
Independentemente de qual seja a escolha... a escolha fica sempre na conquista do paraíso e da eterna procura da perfeição... do nosso próprio paraíso com as nossas próprias compatibilidades.... e sempre com as imperfeições escolhidas por nós...