A Decisão!

"Se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade", Walt Disney

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A pedra basilar ...

Ainda hoje me lembro daquela cassete de video que me gravaste...
Tinha tantos episódios... passava horas a ver... acordava de manhã e via e via e via...

Não sei se era porque desejavas uma menina...
Se é porque dizem que o mau feitio é genético... mas a empatia existe... o mimo sempre existiu... o sorriso... a meiguice... e verdade seja dita.... os feitios são muito mas muito parecidos...

Lembro-me de tantas histórias da minha meninice...

Estavas sempre presente.... sempre a rondar que até irritava...!
Ainda me lembro daquelas férias na casa dos avós... era pequenina... foi no ano em que recebi o careca.... nunca mais chegavas...

Eram férias da páscoa e eu todos os dias brincava no passeio interior na casa da avó... para te topar assim que entrasses no portão...

Estava triste porque... nunca mais chegavas... chorava... faltava alguém para partilhar... e era Dia das Mentiras e diziam que tu ias chegar nesse dia e ... nunca mais chegavas... e eu não acreditava... Dia das Mentiras toda a gente mente...pensava a criança...

Lembro-me de ouvir o assobio.... e corri.... e as lágrimas saltaram dos olhos e .... lembro-me de pela primeira vez sorrir porque tinha um brinquedo novo e alguém para partilhar esse brinquedo....

Sim...
Menina mimada...
Sempre fui mas... é de ti que tenho as primeiras grandes lembranças da cidade de Lisboa...

É contigo que me lembro de percorrer as ruas e ruelas da cidade... de descer a Almirante Reis... passear pelas ruas e avenidas da Baixa... subir ao panorâmico do Sheraton... as escadas rolantes do Parque.... e as luzinhas de natal....

Mimada não sei...
Acompanhada sempre...
Contigo como presença constante.... verdade inabalável....

Sempre foste aquele pilar...
Aquela pedra basilar que... mesmo que o mundo desabasse... contigo podia sempre contar...

Um dia chegaste junto a mim...
Um daqueles dias típicos de adolescência rebelde tardia em que eu queria ser independente e revoltar-me contra tudo e todos...

Chegaste e apenas disseste...

Podes sempre confiar em mim....


Eu nunca te irei mentir... Podes perguntar sempre tudo... podes sempre contar-me tudo... nunca te irei mentir... nunca te irei julgar... nunca te irei criticar... darei a minha opinião se me perguntares e acima de tudo... estarei sempre do teu lado mas nunca... nunca... te irei mentir nem nunca te abandonarei....

E até hoje...
Sempre que precisei... nunca me mentiste... nunca me julgaste... nunca me criticaste e nunca mas nunca saíste do meu lado.... sempre com um sorriso... sempre apoiaste todas as minhas decisões e sempre me ajudaste a enfrentar aqueles medos que eu... tive coragem de te contar...

Tenho pena de não te ter tido coragem de contar muitas decisões que tive que tomar.... que tive que decidir mas... ainda hoje não sei se compreenderias.. ainda hoje não sei se eu própria te conseguiria explicar o que eu estava a enfrentar naqueles momentos... como tal decidi... fingir... muito mal por sinal porque tu notavas que algo de estranho se passava mas... simpaticamente fingias que não percebias que o meu mundo desabava....

Pai....
Hoje sou eu que te digo...
Eu estou aqui.... também não te minto... conto-te sempre a verdade toda... estou sempre do teu lado... tomo sempre as decisões que forem as mais adequadas a ti e ... acredita... estarei sempre ao teu lado...

mesmo que... por alguns efémeros momentos... te tenha parecido que a filha te tivesse abandonado....

Mas também sei que... tu sabes que eu estou sempre cá ... e sei que sabes que todas as minhas decisões são sempre pensadas em ti... e depois de toda a emoção passar e ... a racionalidade chegar... tu sabes que foi melhor assim...



:)

21 comentários:

  1. Percebo e sinto tanto este teu texto! Por todos os motivos e mais alguns. Porque, para mim, o meu PAI é TUDO o que sempre tive. É pai, é mãe, é amigo, é porto seguro, é onde me sinto em "casa". Enfim... gostei e bebi cada palavra:-)

    bjs

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  2. Olá Ana...
    Obrigado... sim... este texto foi mesmo muito sentido...

    O meu pai é só meu pai... estaria a ser injusta se retirasse a minha mãe da equação mas... o meu pai é o meu pai... a relação que temos é diferente...

    sempre foi... sempre será...
    Não sei... compatibilidade de maus feitios... de sorrisos.... de olhares... algo fez clique ao primeiro momento dizem "os antigos" da família mas...

    segundo dizem... desde pequenina que eu sempre corri para os braços do papá... e ele... sempre esteve ao meu lado e sempre me fez questão de me mostrar os dois lados da vida....

    O certo e o errado da vida ... o mau e o bom... o correcto e o incorrecto e ... como qualquer pessoa "não consciente" .... sempre optou por me deixar a mim escolher qual os lados eu optava por seguir...

    Uma boa opção de vida dele diria eu :)

    Beijos Ana! :)

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  3. Quem me acompanha sabe que perdi o meu pai cedo. Cedo de mais. Ele tinha apenas 42 anos quando partiu.

    Não consigo escrever mais nada a não ser o seguinte: revejo-me nas tuas palavras.

    Nota - Aproveita bem todos os momentos com ele.

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  4. Sim Ni....
    Eu aproveito todos os momentos com ele...

    Por vezes sinto que falo pouco dele mas... é difícil exprimir por palavras quem está cá dentro desta forma... as palavras não saem tão fluentemente como desejávamos...

    Beijos grandes
    :)

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  5. Gostava de poder dizer o mesmo, mas não posso.

    Assumindo todas as qualidades do meu pai, mas notando os seus defeitos, tenho apenas a dizer que somos muito parecidos em muita coisa (boas e más), mas não consigo ter a confiança ou o à-vontade que tens no teu... E tenho pena.

    Beijinho :)

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  6. Fadinha...
    nem sei o que dizer mas... esta relacao de confianca demorou anos a ficar consolidada...

    O carinho e a empatia desde o inicio a tive com o meu pai mas... como tudo na vida ... as bases da confianca demoram a ser criadas...

    Beijos grandes

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  7. Olá!
    No fundo escreveste uma carta ao teu Pai. Desabafaste. explicaste o porquê das Tuas Pequenas/Grandes decisões. Aproveita bem o Pai que tens, eu não o conheço, mas já o admiro muito. E Tu Tens motivos de orgulho. Eu tive alguém assim, foi o meu avô, já não tenho... mas não há um único dia que não me lembre Dele.
    Abraça o teu Pai. não deixes nenhum abraço por dar... acho que me entendes.

    Um grande beijinho!

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  8. É difícil sermos nós o pai para os nossos pais, ou algo nem que remotamente parecido. Mas acho que sim, eles confiam em nós.

    Eu nem sou tanto o meu pai nem tanto a minha mãe: sou a mistura dos dois. Nem sempre a mistura dos melhores aspectos de cada um deles, mas uma mistura que eles reconhecem porque se conhecem um ao outro e me conhecem a mim.

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  9. Beijo grande Apenas eu e obrigado pelas tuas palavras...

    e sim... foi uma carta ... em forma de desabafo e ... com um misto de abraço bem grande :)

    Obrigado!

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  10. Parece-me ser uma boa mistura Abobrinha... e possivelmente bem refinada :)

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  11. (não me ocorreu nada mais inteligente para dizer)

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  12. Era isso mesmo! A minha sorte é que quando não me ocorre nada de inteligente, ocorre-te a ti!

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  13. Isso mesmo abobrinha...
    dupla infalível :)

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  14. Isso mesmo abobrinha...
    dupla infalível :)

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  15. Se bem que se batermos com a cabeça também dá uma grande dor de corno. Por assim dizer!

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  16. Por acaso abobrinha... eu diria que seria mais uma grande dor de .... chifre! :)

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